Opinião – Não precisamos do Paypal, Mastercard ou Visa Como conheci o Bitcoin

Opinião – Não precisamos do Paypal, Mastercard ou Visa

Neto Guaraci

Antes de contar como conheci o Bitcoin, preciso contar a história que fez com que ele aparecesse na frente da tela do meu computador, um AMD Athlon 64 que guardo no coração.

O  dia era 28 de novembro de 2010, o inglês The Guardian noticiava “How 250,000 US embassy cables were leaked”.

the guardian

Capa do The Guardian do dia 30/11/2011

A Wikileaks tinha acabado de vazar milhares de documentos super secretos, um dos maiores escândalos da história norte-americana, indicando violações aos direitos humanos e expondo todos os interesses do maior império que o homem já viu.

Dois dias depois iniciaram uma das maiores perseguições jornalísticas da história. A Interpol emitiu uma notificação vermelha contra o fundador do Wikileaks, uma ordem internacional de prisão.

A Amazon, com receios de represálias do governo norte-americano decidiu cortar a hospedagem do Wikileaks, que respondeu com o seguinte tweet:

wikileaks

 

A equipe do Wikileaks conseguiu restabelecer o site, mas dias depois o EveryDNS retirou o domínio wikileaks.org. No Twitter o Wikileaks pediu por auxílio, em poucas horas diversos mirrors com o conteúdo completo da Wikileaks começaram a surgir por toda a internet.

Na época eu estava acompanhando todos os mirrors, compilando a lista daqueles que encontrava e publicando onde pudesse achar espaço. Aquilo realmente me deixava indignado.

Pouco tempo depois o próprio Twitter cortou qualquer aparição do Wikileaks no trending topics. Mesmo assim, milhares de ativistas começaram a re-publicar todo o conteúdo.

Os ataques iniciais dos Estados Unidos falharam miseravelmente, a descentralização da internet quebrou todos os ataques a liberdade de expressão.

Não precisamos do Paypal, Mastercard ou Visa

bitcoin aceito aqui

Mas o poderio norte-americano não parava nas grandes mídias, registradores de domínios e hospedagens. Tinha chegado a hora de flexionar os braços econômicos do império, Paypal, Mastercard, Visa e várias outras instituições se recusaram a aceitar doações ao Wikileaks.

E pior, elas congelaram todos os saldos de pessoas ligadas a organização e a organização em si (semelhanças com o que acontece hoje com quem transaciona bitcoin?).

O Wikileaks é uma organização sem fins lucrativos e depende exclusivamente de doações. Os custos para manter servidores, boa conexão com internet e pessoas dedicadas trabalhando para a organização são altos.

A estratégia agora era sufocar economicamente a Wikileaks, até que ela não tivesse mais fôlego para continuar viva.

Foi nessa situação que eu conheci o bitcoin, li em algum site de conteúdo  que o Wikileaks estava sobrevivendo de uma moeda digital. Aquilo me deixou intrigado.

Sempre gostei do conceito de moedas digitais, anos antes eu tinha visitado os sites da e-gold e da Liberty Reserve, mas alguns dias depois, quando eu voltava para ler mais e entender o sistema eu me deparava com um aviso parecido com esse:

O aviso acima é o mesmo que encontrei ao visitar o site da Liberty Reserve, que era um sistema centralizado de e-cash.

Na época eu fiquei impressionado, como o governo dos Estados Unidos ainda não fechou esse tal de bitcoin?

A verdade é que na sua infância o bitcoin pôs de joelhos o maior império que o mundo já viu. O que mais uma tecnologia como essa pode fazer para a humanidade?

Foi assim que conheci o bitcoin, em uma perseguição global a um grupo de jornalistas e criptoanarquistas. Não fiquei rico, entretanto acompanhei toda essa saga histórica.

E você, como conheceu o bitcoin?