Relatório do mercado de criptoativos: julho/2018 Foxbit Invest

Relatório do mercado de criptoativos: julho/2018

Foxbit Invest

O preço do Bitcoin subiu 25,87% em julho, em comparação ao preço de fechamento do mês anterior, e terminou o período cotado a US$7.960 por unidade. Durante as duas primeiras semanas do mês, o valor do ativo digital andou praticamente de lado e a partir da metade do mês iniciou um forte rally que o levou a ser negociado por até US$8.500 em algumas exchanges.

O restante do mercado de criptoativos, entretanto, obteve um resultado agregado negativo no mês de julho e verificou um recuo de 1,7% no valor de mercado total, excluindo o Bitcoin. Com a presença do Bitcoin, o valor de mercado do ecossistema cresceu 8,3% em julho.

Entre os 10 principais ativos, o destaque do mês ficou com a plataforma de contratos inteligentes Stellar, que obteve alta de 46,6% em relação ao dólar. O interesse no projeto foi estimulado pelas equipes que buscam lançar ICOs na blockchain da Stellar, incluindo o serviço de mensagens Kik. Além disso, o suporte dos desenvolvedores Stellar para uma solução de escalabilidade parecida com a Lightning Network do Bitcoin foi outro fator positivo que ajudou na performance do ativo. Vale mencionar ainda que a Coinbase anunciou recentemente que está considerando uma listagem do token XLM (Stellar).

 Variação em Dólar

tabela variação do dólar com o bitcoin

Fonte: Foxbit Invest

A Stellar foi o único ativo digital a registrar performance positiva no mês de julho quando negociada contra o Bitcoin, alta de 16,47%. Vários ativos, incluindo o ether, que é o segundo maior do mercado, registrou queda de mais de 20% ante o Bitcoin.

Variação em relação ao Bitcoin

Variação em relação ao bitcoin

Fonte: Foxbit Invest

Volume

No que tange ao volume de Bitcoin em dólares negociado nas exchanges, durante a primeira metade do mês de julho, os montantes seguiram trajetória de queda, chegando a registrar no dia 14 de julho um total de US$2,9 bilhões, menor valor desde novembro de 2017.

Contudo, quando o preço do Bitcoin começou a subir, o volume também reagiu e atingiu um pico de US$7,2 bilhões no dia 24 de julho, nível que não era registrado pelo mercado desde o início de maio deste ano. No gráfico abaixo, pode-se observar a trajetória do volume no último ano e a tímida retomada verificada em julho.

volume_exchange

Fonte: coinmetrics

Market share

A queda no valor de mercado total das altcoins e o aumento do Bitcoin em julho mostram que muitos investidores de altcoins migraram suas posições para o Bitcoin, que verificou um aumento expressivo em sua participação de mercado, obtendo 48% da fatia total no final de julho. A última vez que o Bitcoin deteve tamanha participação havia sido em setembro de 2017. Enquanto isso, os principais ativos digitais perderam participação de mercado, sendo que os que mais perderam foram o ether (ETH) com -2% e a ripple (XRP) com -1,2%.

dominância do bitcoin

Fonte: coinmarketcap

 

Ao longo do último ano, é possível perceber três distintos momentos que o Bitcoin retomou participação de mercado e que coincidiram com um rally de preços do principal ativo digital do mercado.

No gráfico abaixo, pode-se observar que, até janeiro de 2017, o Bitcoin reinava sozinho com mais de 80% de participação de mercado. Durante o primeiro semestre do ano passado, o ether, a ripple e outros ativos começaram a crescer exponencialmente e abocanharam mercado do Bitcoin. Inclusive, cogitou-se à época que o ether poderia tomar a liderança de mercado do Bitcoin.

A partir da metade do ano passado, contudo, o Bitcoin iniciou uma forte escalada de preço que culminou com os níveis próximos aos US$20 mil registrados no final de 2017. Durante esse período, o Bitcoin retomou expressiva participação de mercado.

Em janeiro de 2018, contudo, a participação do Bitcoin despencou (junto com seu preço) e os outros ativos voltaram a ganhar mercado. Em fevereiro, o Bitcoin registrou um rally de praticamente 100% de valorização, quando o preço saiu de US$6 mil e chegou a US$12 mil, e novamente ganhou participação de mercado.

Em um terceiro momento, a partir de maio, o Bitcoin começou a ganhar participação de mercado novamente e, em julho, essa dinâmica se acelerou com a subida do preço do ativo.

dominância do bitcoin versus ether

Fonte: coinmarketcap

ETF

O aumento do interesse pelo Bitcoin em julho deve-se, primordialmente, à expectativa do mercado em relação à possível aprovação de um Exchange Traded Fund (ETF) por parte da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de valores mobiliários nos Estados Unidos. Na imagem abaixo, pode-se observar um expressivo aumento por buscas no Google do termo “Bitcoin ETF” ao longo do mês de julho.

bitcoin etf

Fonte: Google Trends

 

A aprovação de algum dos vários pedidos de ETFs que tramitam na SEC poderia criar um importante instrumento de acesso ao mercado de Bitcoin por players institucionais.

 

Contudo, no final de julho, a SEC negou um desses pedidos, feito pelos irmãos Winklevoss, donos da exchange norte-americana Gemini. Apesar disso, o mercado tem esperança de que o pedido feito pelo empresa VanEcK  & SolidX possa ser aprovado. A data estabelecida para que a SEC pronuncie-se acerca desta solicitação é dia 10 de agosto, porém o órgão pode postergar a decisão final até em março de 2019.

 

sec etf bitcoin
Fonte: Bloomberg Intelligence & SEC.gov

 

Fluxo

Apesar da forte alta do Bitcoin em julho, as principais praças de negociação do ativo digital, como o Japão e a Coreia do Sul, não apresentaram spreads significativos, o que sugere ausência de fluxo relevante de varejo oriundo das moedas fiats.

No Brasil, durante alguns dias do mês de julho o mercado operou com deságio em relação à cotação do Bitcoin em dólar.

A falta de atividade do segmento de investidores de varejo deve ser encarada como um indicador de que boa parte da alta do Bitcoin deveu-se à realocação de recursos dentro do próprio ecossistema de criptoativos.

Regulação

Os países membros do G20 postergaram para outubro o prazo para a revisão de um padrão global de combate à lavagem de dinheiro (AML) sobre criptoativos. A expectativa anterior era de que uma regulação padrão para as nações do bloco seria divulgada no final de julho.

Ministros das finanças e governadores de bancos centrais dos países membros do G20 realizaram uma reunião em meados de julho e reiteraram sua posição de manter um monitoramento “vigilante” sobre a atividade com ativos digitais.

Maioria das ICOs tem vida curta

Um estudo realizado pelo Boston College e divulgado em julho aponta que 56% das startups de crypto que realizaram uma oferta inicial de token (ICO, na sigla em inglês) deixaram de operar apenas quatro meses após o processo de levantamento de capital. Os pesquisadores fizeram a análise sobre 2390 ICOs que ocorreram até o mês de maio de 2018. Segundo o artigo, historicamente, a melhor estratégia tem sido vender os tokens de ICOs assim que eles começam a ser negociados no mercado secundário.

A fraca atividade econômica da rede do Bitcoin

Até dois terços da atividade de transação registrada na rede Bitcoin não tem nada a ver com a compra de bens e serviços ou a troca da moeda virtual, de acordo com o site de análise de dados Coinmetrics. As cifras de volume estão sendo influenciadas por uma série de outros fatores, como os chamados mixers que reorganizam os saldos entre suas próprias contas, grupos de mineração que distribuem moedas aos membros, fraudes como spoofing e manipulação de mercado

 

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