O que são dApps?

mar 28, 2022 | Finanças

Aplicativos descentralizados, ou dApps, são, em essência, versões de aplicativos criados na blockchain do Ethereum baseados em contratos inteligentes (smart contracts). Os dApps funcionam exatamente como aplicativos tradicionais – um usuário nem deve notar a diferença – mas fornecem muito mais em termos de recursos.

Os dApps representam uma nova forma de interagir com as finanças pessoais. Quando pensamos em finanças tradicionais, muitas vezes vêm à mente empréstimos, poupanças, financiamentos e afins. Cada um deles é alimentado, se desejar, por uma autoridade central, como bancos ou outras instituições financeiras.

Muitos consideram as criptomoedas e a blockchain como o presente e o futuro das finanças. Se for o caso, como transações financeiras como empréstimos, por exemplo, irão funcionar num ambiente totalmente descentralizado? É o que colocaremos em xeque neste artigo!

Breve história dos dApps

Embora o Bitcoin (BTC) seja a primeira rede blockchain, a tecnologia evoluiu muito além de uma simples transação financeira. Quando Vitalik Buterin e seus colegas propuseram o Ethereum (ETH) em 2013, eles focaram em algo muito mais amplo – um estilo de vida digital totalmente descentralizado.

Buterin imaginou uma internet baseada em blockchain, onde os usuários tivessem o controle em vez de corporações. Para fazer isso, o Ethereum alimentaria o que são essencialmente declarações automatizadas de causalidade chamadas contratos inteligentes (smart contracts). Esses contratos são imutáveis, pois as regras e limitações foram incorporadas em seu código. Isso significa que qualquer parte pode realizar transações sem intermediário, eliminando a necessidade de plataformas centralizadas.

Curiosamente, 2014 viu o lançamento de um relatório definindo os dApps, chamado “The General Theory of Descentralized Applications, Dapps”. Foi escrito por vários autores com experiência no espaço, como David Johnston e Shawn Wilkinson.

O artigo definiu os dApps como entidades com as seguintes características:

  • Um dApp deve ter código-fonte aberto e funcionar sem intervenção de terceiros. Deve ser controlado pelo usuário, pois ele propõe e vota nas mudanças que são implementadas automaticamente;
  • Todas as informações devem ser mantidas em uma rede blockchain acessível ao público. A descentralização é fundamental, pois não pode haver um ponto central de ataque;
  • Os dApps devem ter algum tipo de token criptográfico para acesso e devem recompensar os contribuidores no referido token, como mineradores e stakers.
  • Um dApp deve ter um método de consenso que gere tokens, como prova de trabalho (PoW) ou prova de participação (PoS);

A partir daí, o artigo classifica três “tipos” ou “camadas” de dApps com base na forma como os usuários interagem com eles.

dApps de Camada 1

Existem por si próprios em seu próprio blockchain. Os projetos mais populares de dApps são de camada um, como o Bitcoin, por exemplo. Eles exigem um algoritmo de consenso e regras previamente incorporadas.

dApps de Camada 2

Geralmente são construídos em cima da camada um, aproveitando o poder do referido blockchain. Muitas vezes considerados protocolos, eles utilizam tokens para interações. Uma solução de dimensionamento construída em cima do Ethereum é um bom exemplo de um DApp de camada dois. As transações podem ser processadas nesta segunda camada antes de se comprometerem com a primeira, retirando alguma carga da cadeia principal.

dApps de Camada 3

Por fim, os dApps da camada três são construídos sobre a camada dois, geralmente contendo as informações necessárias para que as outras duas interajam. Ele pode armazenar as interfaces de programação de aplicativos (APIs) e os scripts necessários para que a camada um e a camada dois funcionem. Por exemplo, um protocolo de camada três pode abrigar vários dApps de camada dois, facilitando a experiência do usuário em todos eles.

Simplificando, o documento define dApps como vários aplicativos que são alimentados por um blockchain central. Alguns podem construir em cima dessa camada inicial, mas todos são considerados dApps, se atenderem aos critérios mencionados acima.

Por que utilizar dApps?

A descentralização oferece vários benefícios em relação aos aplicativos executados em uma rede centralizada. A principal delas é dispensar a necessidade de uma terceira parte envolvida, graças aos smart contracts. Um aplicativo como o PicPay permite enviar dinheiro para qualquer pessoa, no entanto, transferir esses fundos para uma conta bancária custa uma taxa.

Enviar dinheiro por um aplicativo descentralizado, no entanto, significa que não há nenhum ou muito pouco custo envolvido. Isso economiza dinheiro dos usuários em taxas e, considerando que as transações descentralizadas são quase instantâneas, também economiza tempo.

Outra vantagem das plataformas descentralizadas é que elas são invulneráveis ​​a todos os tipos de ataques, pois não há dispositivo físico para “atacar”. Isso não apenas torna a rede dos dApps mais segura, mas também significa que não há tempo de inatividade. É possível acessar a qualquer hora, de qualquer lugar.

Os dApps também podem ser aplicados a praticamente qualquer setor, como de saúde, governança, jogos e até armazenamento de arquivos. Como resultado, o uso dos dApps é bem semelhante aos aplicativos tradicionais. Embora os usuários se beneficiem de todas as alterações no back-end, a experiência real deve ser a mesma. Esta forma de interagir com as aplicações é considerada Web 3.0, referindo-se também à descentralização das informações.

Quando a web começou, era um espaço cheio de informações que qualquer um podia acessar. Com o tempo, as grandes empresas aproveitaram ou centralizaram tudo. Embora essas organizações os forneçam “gratuitamente”, isso tem o custo de fornecer nossos dados – e dados, nos dias de hoje, valem dinheiro!

As empresas então têm controle sobre essas informações, sabem o que seus usuários gostam de comprar, quanto dinheiro eles têm e quem eles conhecem. Esse controle também significa que eles podem tirá-lo. 

Na Web 3.0, por sua vez, utilizar dApps não interfere na sua privacidade. 

Em vez disso, um usuário pode optar por compartilhar apenas as informações necessárias para, digamos, um check-up médico ou um empréstimo, e escolher quem as vê e por quanto tempo. 

As empresas também podem pagar por esse acesso, garantindo que os usuários obtenham vantagem financeira disso. 

Há também a questão da confiança. Em um mundo onde grandes empresas com a chamada alta segurança estão vazando nomes de usuário, e-mails e senhas, é difícil saber em quem confiar.

Utilidades dos dApps

Como já abordamos, a aplicação mais óbvia dos dApps, atualmente, é no setor de finanças. Mas eles já estão sendo utilizados de diversas outras formas! Confira a seguir:

dApps para Finanças

Através dos bancos, os credores ganham certas taxas de juros com base no dinheiro economizado. Quanto mais uma pessoa poupa, mais o banco pode emprestar e mais ambas as partes ganham em termos de juros. No entanto, o banco, que atua como uma entidade centralizada, recebe um corte maior do que os credores gostariam, simplesmente por fornecer um espaço para armazenar fundos.

Num dApp, os credores ganham 100% de seus juros, pois não há intermediário para pagar. Além disso, eles têm mais controle sobre os empréstimos, enquanto recebem tokens da plataforma que escolhem para emprestar.

Quanto aos mutuários, eles têm mais voz em termos de juros pagos, bem como de tempo para pagá-los. De fato, algumas plataformas permitem que os mutuários demorem meses ou até anos para pagar os juros, desde que atendam a um limite mínimo de pagamento. O mutuário também pode discutir as taxas com o credor, garantindo uma decisão justa para ambas as partes envolvidas.

dApps para fins de governança

Na maioria dos casos, votar é um processo monótono. Muitas vezes envolve várias etapas de validação – algumas inacessíveis para cidadãos sem moradia adequada ou para aqueles que sofrem de outros problemas. Isso sem falar em adulteração e atividades ilícitas de eleição como um todo.

Um dApp de votação pode abrir o procedimento para todos através de contratos inteligentes (smart contracts). Basicamente, a comunidade pode votar em uma lista de propostas. Em seguida, eles podem configurar um prazo, digamos, de 48 horas, para os usuários “apostarem” seu voto com tokens. Isso abre a participação de todos, permitindo que qualquer pessoa vote anonimamente.

Os votos são armazenados em uma rede descentralizada, tornando-os imutáveis ​​e invioláveis. Além disso, os contratos inteligentes podem recompensar os eleitores com um token relevante por seus esforços, incentivando as pessoas a votarem nas próximas eleições.

dApps para jogos

Os jogos sempre foram um caso de uso interessante dos dApps. Atualmente, os jogos exigem dezenas de horas investidas em um personagem para crescer – quase sempre investindo dinheiro de verdade – apenas para que ele fique lá e apodreça quando o jogador seguir em frente e começar a jogar outro jogo.

Os dApps apresentam uma solução mais interessante em termos de valor. Pegue um jogo como CryptoKitties, por exemplo. Os jogadores adquirem um ativo tokenizado, neste caso, um gatinho. Esse gatinho cresce com o tempo, aumentando em valor se for criado adequadamente. Um usuário pode então vender esse gato pelo que quiser, supondo que haja um comprador que pague por ele.

Além disso, alguns gatinhos podem cruzar com outros gatinhos, criando um gatinho ainda mais raro e potencialmente mais valioso. Os jogadores podem trocar ou coletar gatinhos, fazendo o que quiserem com esses animais de estimação tokenizados. Seu investimento de tempo torna-se genuinamente valioso. 

Atualmente, o Axie Infinity vem ganhando mais espaço do que o CryptoKitties. mas imagine um futuro onde as horas de jogo entre os dois jogos sejam transmutáveis! Quem sabe?

dApps para mídias sociais

Primeiramente, não há ninguém para censurar postagens, o que significa liberdade de expressão total. Se algumas postagens se tornarem um problema, no entanto, a comunidade pode votar para removê-las.

Os influenciadores também podem ganhar mais. Em plataformas tradicionais, como o Twitter, a empresa lucra mais com os tweets populares. Ele ganha receita de publicidade de todas as visitas ao site, e o autor não recebe, bem, absolutamente nada.

Os dApps de mídia social podem ter um sistema de gorjeta embutido usando seu token, e os usuários podem exibir anúncios e receber seus pagamentos integrais, em vez de uma empresa receber uma fatia considerável.

dApps para arrecadação de fundos e publicidade

Muitos usuários aproveitam um bloqueador de anúncios enquanto navegam online. Obviamente, isso é uma problema para os sites que tentam gerar receita através disso, mas é compreensível em alguns aspectos, pois os anúncios se tornaram bastante desagradáveis ​​de várias maneiras. Um dApp de navegador pode corrigir isso.

À medida que os usuários navegam na web, eles o fazem com um bloqueador de anúncios e rastreadores integrado ao navegador, ganhando criptomoedas ao longo do caminho. Agora, à medida que os usuários encontram criadores e sites que gostariam de apoiar, eles podem optar por permitir contribuições. 

Isso significa que quanto mais um usuário navega, mais ele paga para esse site ao longo do tempo. Os usuários podem até habilitar anúncios para esses sites específicos, ajudando-os ainda mais a longo prazo.

Privacidade é o nome do jogo aqui. Os usuários escolhem quem pode rastreá-los, protegendo suas informações e ainda contribuindo para plataformas que precisam do dinheiro. É uma situação de ganho para todos os lados!

Desvantagens dos dApps

Embora os aplicativos descentralizados (dApp) possam oferecer um futuro livre de corporações, atualmente existem alguns problemas importantes que o setor está trabalhando para resolver.

A falta de uma autoridade central pode significar atualizações mais lentas e mudanças de plataforma. Afinal, uma parte pode simplesmente atualizar seu aplicativo como quiser. Um dApp, no entanto, requer o consenso da maioria da governança interina – mesmo para uma pequena correção de bug. Isso pode levar semanas ou até meses, pois os usuários debatem os prós e os contras de qualquer melhoria.

Além disso, os dApps exigem uma base de usuários de tamanho razoável para funcionar corretamente. Eles precisam de nodes, governança e usuários apenas para interagir com ele. No entanto, acessar os DApps pode ser bastante difícil neste estágio inicial e muitos não estão reebendo o suporte de que precisam.

No futuro, acessar um dApp pode ser tão simples quanto baixar um aplicativo na Apple App Store ou Google Play. Por enquanto, os usuários devem baixar um navegador compatível com dApp, enviar a criptografia necessária para essa carteira e interagir a partir daí. 

Embora os usuários experientes em tecnologia não devam ter problemas com isso, a grande maioria das pessoas não tem ideia de por onde começar. É aí que a gente entra!

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