O que são DeFi?

mar 28, 2022 | Finanças

As finanças descentralizadas, também conhecidas como DeFi, usam a tecnologia da blockchain e das criptomoedas para gerenciar transações financeiras. As DeFi visam democratizar as finanças substituindo instituições centralizadas tradicionais por relacionamentos peer-to-peer que podem fornecer uma gama completa de serviços financeiros, desde serviços bancários diários, empréstimos e hipotecas até relacionamentos contratuais complexos e negociações de ativos – digitais ou não.

Finanças nos dias de hoje

Hoje em dia, quase todas as transações financeiras, empréstimos e negociações são gerenciados por sistemas centralizados, operados por órgãos governamentais. Os consumidores precisam lidar com uma série de intermediários financeiros para ter acesso a tudo, desde empréstimos para automóveis e hipotecas até negociar ações e títulos.

Nos EUA, por exemplo, órgãos reguladores como o Federal Reserve e a Securities and Exchange Commission (SEC) definem as regras para o mundo das instituições financeiras e corretoras centralizadas, e o Congresso altera as regras ao longo do tempo.

Como resultado, existem poucos caminhos para os consumidores acessarem diretamente o capital e os serviços financeiros. Eles não podem ignorar intermediários como bancos, bolsas e credores, que ganham uma porcentagem de cada transação financeira e bancária como lucro. Todos nós temos que “pagar pra ver”.

O Futuro: Finanças Descentralizadas (DeFi)

Na realidade atual, você pode colocar suas economias em uma conta poupança online e ganhar uma taxa de juros de 0,5% sobre seu dinheiro. O banco então empresta esse dinheiro para outro cliente com juros de 3% e embolsa o lucro de 2,5%. Com as DeFi, as pessoas emprestam suas economias diretamente a outras pessoas, eliminando essa perda de lucro de 2,5% e obtendo o retorno total de 3% do dinheiro.

As DeFi desafiam esse sistema financeiro centralizado, desempoderando intermediários e capacitando “pessoas comuns” por meio de trocas ponto a ponto (peer-to-peer).

“O objetivo do DeFi é reconstruir o sistema bancário para todo o mundo desta forma aberta e sem permissão”, diz Alex Pack, sócio-gerente da Dragonfly Capital.

Alguns tentarão argumentar dizendo: “Mas eu já faço isso através do Pix”. Porém, você ainda precisa ter um cartão de débito ou conta bancária vinculada a esses aplicativos para enviar fundos, portanto, esses pagamentos ponto a ponto ainda dependem de intermediários financeiros centralizados para funcionar.

DeFi: 100% executado em Blockchain

Blockchain e criptomoeda são as principais tecnologias que permitem finanças descentralizadas.

Quando você faz uma transação em sua conta corrente convencional, ela é registrada em um livro-razão privado – seu histórico de transações bancárias – que pertence e é gerenciado por uma grande instituição financeira. Blockchain é um livro-razão público distribuído e descentralizado onde as transações financeiras são registradas em código.

Quando dizemos que a blockchain é distribuída, isso significa que todas as partes que usam um aplicativo DeFi têm uma cópia idêntica do livro público, que registra cada transação em código criptografado. Isso protege o sistema fornecendo aos usuários anonimato, além de verificação de pagamentos e um registro de propriedade de ativos que é (quase) impossível de alterar por atividade fraudulenta.

Quando dizemos que o blockchain é descentralizado, isso significa que não há intermediário ou gatekeeper gerenciando o sistema. As transações são verificadas e registradas por partes que usam o mesmo blockchain, por meio de um processo de resolução de problemas matemáticos complexos e adição de novos blocos de transações à cadeia.

Os defensores das DeFi afirmam que a blockchain descentralizada torna as transações financeiras seguras e mais transparentes do que os sistemas privados e opacos empregados nas finanças centralizadas.

Como as DeFi são utilizadas hoje?

As DeFI estão adentrando uma ampla gama de transações financeiras simples e complexas. Alimentadas por aplicativos descentralizados chamados “dApps” ou outros programas chamados “protocolos”. dApps e protocolos lidam com transações nas duas principais criptomoedas, Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH).

Embora o Bitcoin seja a criptomoeda mais popular, o Ethereum é muito mais adaptável a uma ampla variedade de usos, o que significa que grande parte do cenário de dApps e protocolo usa código baseado em Ethereum.

Aqui estão algumas das maneiras que os dApps e protocolos já estão sendo utilizados:

Transações financeiras tradicionais

Qualquer coisa, desde pagamentos, negociação de títulos e seguros, até empréstimos e empréstimos, já está acontecendo através de DeFi.

Bolsas descentralizadas (DEXs)

No momento, a maioria dos investidores em criptomoedas usa exchanges centralizadas como a Foxbit. DEXs facilitam as transações financeiras ponto a ponto e permitem que os usuários mantenham o controle sobre seu dinheiro.

Carteiras digitais

Os desenvolvedores da DeFi estão criando carteiras digitais que podem operar independentemente das maiores exchanges de criptomoedas e dar aos investidores acesso a tudo, desde criptomoedas a jogos baseados em blockchain.

Stablecoins

Embora as criptomoedas sejam notoriamente voláteis, as stablecoins ​​tentam estabilizar seus valores vinculando-as a não criptomoedas, como o dólar americano.

Mineração

As DeFi possibilitam que investidores especulativos emprestem cripto e potencialmente obtenham grandes recompensas quando as plataformas de empréstimo de moedas proprietárias DeFi recompensam 0 usuário por concordar com o empréstimo se valorizarem rapidamente – a já tradicional mineração de cripto.

Tokens não fungíveis (NFTs)

Os NFTs criam ativos digitais a partir de ativos normalmente não negociáveis, como um vídeo com os 10 gols mais bonitos de Ronaldo Fenômeno ou o primeiro tweet no Twitter. Os NFTs mercantilizam o anteriormente não comerciável.

Empréstimos instantâneos

Criptomoedas que emprestam e reembolsam fundos na mesma transação. Parece contra-intuitivo? Veja como funciona:

  • Os mutuários têm o potencial de ganhar dinheiro firmando um contrato codificado na blockchain Ethereum – sem necessidade de advogados – que empresta fundos,;
  • Executa uma transação e paga o empréstimo instantaneamente;
  • Se a transação não puder ser executada ou houver prejuízo, os fundos voltam automaticamente para quem empresta;
  • Se você obtiver lucro, poderá embolsá-lo, menos quaisquer encargos ou taxas de juros.

O mercado DeFi mensura a adoção medindo o que é chamado de valor bloqueado, que calcula quanto dinheiro está trabalhando atualmente em diferentes protocolos DeFi. Atualmente, o valor total bloqueado nos protocolos DeFi é de mais de US$40 bilhões.

A DeFi é alimentada pela natureza onipresente do blockchain: no mesmo momento em que um dApp é codificado no blockchain, ele está disponível globalmente. 

Enquanto a maioria dos instrumentos e tecnologias financeiras centralizadas são lançadas lentamente ao longo do tempo, regidos pelas respectivas regras e regulamentos das economias regionais, os dApps existem fora dessas regras, aumentando sua recompensa potencial e também aumentando seus riscos.

Riscos das DeFi

DeFi é um fenômeno emergente que carrega consigo alguns riscos do desconhecido. Como inovação recente, as finanças descentralizadas não foram submetidas a testes com resultados concretos. 

Além disso, as autoridades estão analisando com mais atenção os sistemas que estão implementando, de olho na regulamentação. Alguns dos riscos da utilização de DeFi incluem:

Não há proteção ao consumidor

As DeFi prosperam na ausência de regras e regulamentos. Mas isso também significa que os usuários podem ter pouco recurso caso uma transação dê errado. Os bancos, por exemplo,  são obrigados por lei a manter uma certa quantidade de seu capital como reservas, para manter a estabilidade e descontá-lo de sua conta sempre que precisar. Não existem proteções semelhantes nas DeFi.

Hackers

Embora uma blockchain possa ser quase impossível de alterar, outros aspectos das DeFi correm risco de serem hackeados, o que pode levar ao roubo ou perda de fundos. Todos os possíveis casos de uso de finanças descentralizadas dependem de sistemas de software vulneráveis ​​a hackers.

Sem garantia, sem empréstimo

A garantia é uma coisa de valor usada para efetuar um empréstimo. Quando você obtém uma hipoteca, por exemplo, o empréstimo é garantido pela casa que você está comprando. Quase todas as transações de empréstimo DeFi exigem garantia igual a pelo menos 100% do valor do empréstimo – às vezes até mais. Esses requisitos restringem amplamente quem é elegível para muitos tipos de empréstimos DeFi.

Requisitos de chave privada

Com as DeFi e criptomoedas, você deve proteger as carteiras usadas para armazenar seus ativos. As carteiras são protegidas com chaves privadas, que são códigos longos e únicos conhecidos apenas pelo proprietário da carteira. Se você perder uma chave privada, perderá o acesso aos seus fundos — não há como recuperar uma chave privada perdida.

Concluindo

Desde eliminar o intermediário até transformar uma arte de macaco num ativo digital com valor monetário, o futuro das DeFi parece brilhante. 

Em breve, os investidores terão mais independência, o que lhes permitirá “implementar ativos de maneiras criativas que parecem impossíveis hoje”, diz Dan Simerman, da IOTA Foundation.

As DeFi também trazem grandes implicações para o setor de big data à medida que amadurece para permitir novas maneiras de comercializar estes mesmos dados.

Todavia, apesar de todas as suas promessas, as DeFi têm um longo caminho pela frente, especialmente quando se trata de aceitação pelo público em geral.

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