dez 9, 2020 | Ethereum
A era dos contratos auto-executáveis
Em 1994, Nick Szabo, um jurista e criptógrafo, percebeu que os livros de registro descentralizados poderiam ser usados para contratos inteligentes, que também podem ser entendidos como contratos autoexecutáveis ou contratos digitais. Neste formato, os contratos podem ser convertidos em linguagem de código, armazenados e replicados no sistema, e supervisionados pela rede de computadores que mantém o blockchain.
Os contratos inteligentes ajudam a intercambiar dinheiro, propriedade, ações ou qualquer coisa de valor, tudo isso de forma transparente e livre de conflito, evitando a necessidade de um intermediário.
Vitalik Buterin explica que em um contrato inteligente, um ativo ou moeda é transferido para um programa que executa este código e fica encarregado de validar as condições e determinar, automaticamente, a qual usuário aquele ativo deve ser entregue, ou se deve ser reembolsado imediatamente à pessoa (ou combinação de pessoas) que o enviou. Enquanto isso, o livro de registro descentralizado também armazena e replica o documento, garantindo segurança e imutabilidade àquelas informações.
Suponha que você queira alugar um apartamento de alguém. Você pode fazer isto através do blockchain pagando em criptomoeda. Depois de realizar o pagamento, você recebe um recibo que é mantido em um contrato virtual. Então, você receberá a chave de entrada digital em uma data especificada. Se a chave não chegar conforme o combinado, o blockchain liberará um reembolso para você. Se a chave for enviada antes da data de locação do apartamento, a função do contrato inteligente manterá os fundos em custódia e liberará a chave de entrada para você na data acordada. O sistema funciona com base na premissa “se isso acontecer, então aquilo acontecerá”, que é testemunhada por centenas de pessoas, para que você possa esperar uma entrega sem falhas. Se receber a chave, o proprietário do apartamento terá a certeza de que receberá pelo aluguel. O documento é cancelado automaticamente após o tempo do contrato e o código não pode ser interferido por nenhum dos nós da rede sem que haja consenso, pois todos os participantes são alertados simultaneamente.
Você pode usar contratos inteligentes para todos os tipos de situações que vão desde derivativos financeiros até prêmios de seguro, rompimento de contratos, direito de propriedade, execução de crédito, serviços financeiros, processos legais e contratos de financiamento coletivo.
Contratos inteligentes podem ser usados em todas as indústrias, desde serviços financeiros até cuidados de saúde. Aqui estão alguns exemplos:
Governo
Especialistas afirmam que é extremamente difícil para nosso sistema de votação ser gerenciado. No entanto, contratos inteligentes poderiam acabar com todas as preocupações, fornecendo um sistema infinitamente mais seguro. Os votos protegidos pelo livro de registro precisariam ser decodificados e para isso acontecer, ou seja, serem acessados de forma fraudulenta seria necessário um poder de computacional maior que de todos os nós da rede. Ninguém tem tanto poder de computação. Em segundo lugar, os contratos inteligentes poderiam aumentar a baixa participação dos eleitores. Grande parte da inércia vem de um sistema que inclui filas longas, mostrar sua identidade e preencher formulários. Com contratos inteligentes, seria muito mais fácil, rápido e prático votar.
Gerenciamento
O blockchain não só fornece um único livro registro como fonte de confiança, mas também evita problemas de comunicação e fluxo de trabalho por causa de sua precisão, transparência e sistema automatizado. Normalmente, as operações de negócios envolvem idas e vindas, enquanto aguardam as aprovações e as questões internas ou externas se resolverem. O livro registro do blockchain simplifica isso. Ele também corta discrepâncias que tipicamente ocorrem com processamento independente e que podem levar a demandas onerosas e atrasos de liquidação.
Automóvel
Com os veículos autônomos, os contratos inteligentes poderiam colocar em prática uma espécie de “oráculo” que poderia detectar quem foi o culpado de um acidente: o sensor ou o motorista? Ele também poderia lidar com inúmeras outras variáveis. Usando contratos inteligentes, uma companhia de seguros de automóveis poderia cobrar taxas de forma diferente com base em onde e sob quais condições os clientes estão operando seus veículos.
Mercado imobiliário
Você pode ganhar mais dinheiro através de contratos inteligentes. Normalmente, se você quisesse alugar seu apartamento para alguém, você precisaria pagar um intermediário, como um jornal para anunciar e, novamente, você precisaria pagar alguém para confirmar que a pessoa pagou o aluguel e seguiu as regras acordados. O blockchain pode reduzir esses custos. Tudo pode ser pago com criptomoeda e gerenciado por um contrato inteligente.
Setor de saúde
Os registros de saúde pessoais poderiam ser codificados e armazenados no blockchain com uma chave privada que concederia acesso apenas a indivíduos específicos. Os recibos de cirurgias podem ser armazenados em um blockchain e enviados automaticamente aos provedores de seguros como prova de entrega. O livro de registro também pode ser usado para o gerenciamento geral de cuidados de saúde, como supervisão de drogas, conformidade com a regulamentação, resultados de testes e gerenciamento de suprimentos de saúde.
Autonomia: você é o único que faz o acordo; não há necessidade de confiar em um corretor, advogado ou outros intermediários para confirmar a transação. Aliás, isso também anula o perigo de manipulação por um terceiro, uma vez que a execução é gerenciada automaticamente pela rede.
Confiança: seus documentos estão criptografados em um livro de registro compartilhado. Não há como alguém dizer que a perdeu.
Backup: imagine se seu banco perde sua conta poupança. No blockchain, seus documentos estão duplicados muitas vezes.
Segurança: a criptografia mantém seus documentos seguros. Não há possibilidade de hackear um blockchain. Na verdade, seria preciso um hacker fora do normal em termos de inteligência para quebrar o código e se infiltrar.
Velocidade: normalmente, você precisaria gastar muito tempo e papelada para processar documentos manualmente. Os contratos inteligentes utilizam o código do software para automatizar tarefas, reduzindo muito o tempo dos processos comerciais.
Poupança: contratos inteligentes poupam o seu dinheiro, pois eliminam a presença de um intermediário. Você, por exemplo, teria que pagar um notário para testemunhar sua transação.
Precisão: os contratos automatizados não são apenas mais rápidos e mais baratos, mas também evitam erros que resultam do preenchimento manual de montes de formulários.
Problemas a serem superados: Os contratos inteligentes estão longe de ser perfeitos. E se forem encontradas falhas no código? Ou como os governos devem regular esses contratos? Ou, como os governos tributarão essas transações com contratos inteligentes? A lista de desafios continua crescendo. Os especialistas estão tentando desvendá-los, mas esses problemas críticos dificultam a adoção em massa desta tecnologia.
dez 9, 2020 | Institucional
A Foxbit tem apenas 6 anos, apesar de jovem nós nunca paramos de inovar e conquistar prêmios para o nascente mercado de criptoativos. Com mais de 650 mil clientes, estamos ajudando a expandir o bitcoin e as criptomoedas.
Hoje vamos te contar um pouco da nossa história e como estamos levando o bitcoin para lugares inesperados.
Do Oscar das startups as centenas de milhões
Em 2015, um ano depois da nossa fundação, chegamos ao 2 ° lugar no prêmio Spark Awards, conhecido como o Oscar das startups brasileiras. Em 2016 a Foxbit ganhou o primeiro lugar no prêmio Microsoft BizSpark e foi finalista pelo InovaBra, pelo Bradesco.
Mas não paramos por aí, nesse tempo criamos uma das maiores comunidades do Brasil, e em 2017, com mais de 200 mil clientes cadastrados, chegamos ao primeiro lugar no prêmio Visa Track. Ao mesmo tempo, lançamos o maior portal de criptomoedas do Brasil, o Cointimes.
Um ano depois, não paramos de inovar e criamos a primeira mesa de operações em bitcoin e criptoativos do Brasil, inaugurando a venda de ativos digitais para grandes investidores e instituições. Como resultado de tanto crescimento a Delloite | Exame nos elegeu como a PME que mais cresceu em 2018.
Em 2019 adquirimos a Modiax, ganhando a expertise da equipe e crescendo ainda mais no mercado de criptoativos.
Já em 2020, movimentamos mais de R$300 milhões no mercado balcão e também fomos eleitos como a 4° empresa mais ética do país, superando outras grandes fintechs e empresas tradicionais.
Mas todos esses prêmios não são apenas da Foxbit, eles fazem parte do avanço do bitcoin no Brasil e indicam que as criptomoedas estão crescendo e ficando cada vez mais reconhecidas pelo mercado tradicional.
Com a retomada da economia e chegada da vacina, esperamos que 2021 seja um ano com mais conquistas, inovações e expansão do mercado de criptomoedas. E esperamos poder contar com você nessa jornada!
dez 8, 2020 | Ethereum
Por dentro do blockchain do Ethereum
Fundamentalmente, um blockchain é um banco de dados compartilhado, composto por um livro de registro de transações, ou seja, a sua função é muito semelhante à de um banco. Contudo, enquanto os registros feitos pelo banco são armazenados de forma centralizada, com o blockchain cada participante da rede tem uma cópia do histórico de transações. Cada um desses participantes é chamado de “nó” da rede.
O blockchain elimina o problema da confiança que afeta os bancos de dados das seguintes maneiras:
Descentralização total: a leitura e a possibilidade de agregar informações ao banco de dados são completamente descentralizadas e segura. Nenhuma pessoa ou grupo controla um blockchain.
Tolerância à falha extrema: esta característica refere-se à capacidade de um sistema em lidar com dados corrompidos. É impossível adicionar ao livro de registro do blockchain algum dado corrompido ou errado. Todos os nós da rede precisariam aprovar tal transação e isso não ocorreria se ela não fosse legítima e válida.
Verificação independente: as transações podem ser verificadas por qualquer pessoa, sem a necessidade de um terceiro. Isso às vezes é
referido como “desintermediação”.
Como funciona o Blockchain
Agora que temos alguma ideia da razão pela qual os blockchains são úteis, vamos mergulhar mais profundamente em como eles funcionam.
As interações entre contas em um blockchain são chamadas de “transações”. Elas podem ser transações monetárias, como o envio de ether de uma pessoa para outra. Elas também podem ser transmissões de dados, como uma mensagem, um contrato etc. Um pacote de transações é chamado de “bloco”.
Cada conta no bloco tem uma assinatura exclusiva, que permite a todos saber qual conta iniciou a transação. Em um blockchain público, qualquer pessoa pode ler ou escrever dados. A leitura de dados é gratuita, mas escrever uma transação em um bloco do blockchain não é. Esse custo, conhecido como “gás”, cujo preço é derivado a partir do ether, ajuda a desencorajar o spam e é uma mecanismo de proteção da rede.
Mineração
Qualquer nó na rede pode participar da segurança da rede através de um processo chamado “mineração”. Os nós que optaram por serem mineradores competem para resolver problemas de matemática que protegem o conteúdo de um bloco.
Uma vez que a mineração requer poder de computação (além de muita energia elétrica), os mineradores podem ser compensados pelo seu serviço. O vencedor da competição recebe alguma criptomoeda como recompensa. No caso da rede do Ethereum, o minerador recebe ether. Isso incentiva os nós a trabalharem para proteger a rede, impedindo que muito poder esteja nas mãos de qualquer minerador.
Hashing
Uma vez que um novo bloco é minerado, os outros mineradores são notificados e começam a verificar e adicionar este novo bloco às suas cópias do blockchain. Isso é feito através de hashing criptográfico (ou simplesmente, “hash”). Hashing é um processo unidirecional que transforma dados em uma sequência alfanumérica de comprimento fixo que representa esses dados. Embora os dados originais não possam ser reproduzidos a partir do hash, os mesmos dados sempre produzirão o mesmo hash.
Quando mais da metade dos mineradores já validou o novo bloco, a rede alcança o consenso em relação àquela informação e o bloco passa a fazer parte do histórico permanente do blockchain. Agora, esses dados podem ser baixados por todos os nós, com a sua validade garantida.
O Blockchain do Ethereum
A estrutura do blockchain do Ethereum é muito semelhante à
estrutura do Bitcoin, pois trata-se de um registro compartilhado de
todo o histórico de transações. Cada nó na rede armazena uma
cópia desse histórico.
A grande diferença é que no Ethereum, os nós armazenam o estado mais recente de cada contrato inteligente, além de todas as transações com ether (isso é muito mais complicado do que o descrito, mas o texto abaixo deve ajudá-lo a ficar mais por dentro).
Para cada aplicação no Ethereum, a rede precisa acompanhar o “estado”, ou seja, a informação atual de todas essas aplicações, incluindo o saldo de cada usuário, todo o código do contrato inteligente e onde está armazenado.
O Bitcoin, por outro lado, utiliza algo conhecido como “saídas de transações não gastas” (UTXO, na sigla em inglês) para rastrear quem tem quanto em bitcoin.
Embora pareça mais complexo, a ideia é bastante simples. Toda vez que uma transação de bitcoin é feita, a rede “quebra” o montante total como se fosse papel-moeda, enviando bitcoins de volta como se fossem um troco que recebemos em papel-moeda.
Para fazer transações futuras, a rede do Bitcoin deve somar todas as suas “notas ou moedas” de acordo com o valor que deseja ser enviado. Estas notas são classificadas como “gasto” (spent) ou “não gasto” (unspent).
O Ethereum, por outro lado, utiliza o conceito de contas.
Como os fundos de uma conta bancária, os tokens de ether aparecem em uma carteira e podem ser portados (por assim dizer) para outra conta. Os fundos estão sempre em algum lugar, mas não têm o que você pode chamar de relacionamento contínuo.
O que é prova de trabalho?
Apesar de o blockchain ser considerado a grande inovação que permitiu o surgimento das criptomoedas, na verdade, existe algo ainda mais importante para o bom funcionamento desses ativos digitais que muitas vezes é pouco comentado. Estamos falando de mecanismo de consenso das criptomoedas.
Tanto o Bitcoin, quanto o Ethereum utilizam um mecanismo conhecido como Prova de Trabalho (PoW, na sigla em inglês, que deriva de Proof of Work).
A prova do trabalho é um protocolo que tem como principal objetivo dissuadir ataques cibernéticos, como um ataque distribuído de negação de
serviço (DdoS), que visa esgotar os recursos de um sistema ao enviar múltiplos pedidos falsos.
A ideia da PoW foi originalmente publicada por Cynthia Dwork e Moni Naor em 1993, mas o termo “prova de trabalho” foi cunhado por Markus Jakobsson e Ari Juels em um documento publicado em 1999.
Prova de trabalho e mineração
A prova de trabalho é um requisito para definir um cálculo computacional custoso, também chamado de processo de mineração, responsável por gerar novos blocos de transações e aumentar a oferta da criptomoeda no mercado de forma descentralizada, ao contrário das moedas fiat, que são emitidas através de estruturas centralizadas (Bancos Centrais).
A mineração tem dois propósitos:
1) Verificar a legitimidade de uma transação ou evitar o chamado gasto duplo;
2) Emissão de novas moedas digitais, recompensando mineradores por realizar o processo de mineração.
Quando se configura uma transação, eis o que acontece nos bastidores:
As transações são agrupadas em um conjunto chamado de bloco. Os mineradores, então, verificam que as transações dentro de cada bloco são legítimas. Para fazer isso, eles devem resolver um enigma matemático conhecido como problema de prova de trabalho. Uma recompensa é dada ao primeiro minerador que resolver o problema. As transações verificadas são armazenadas no blockchain público.
Todos os mineradores da rede competem para ser o primeiro a encontrar uma solução para o problema matemático. Este problema não pode ser resolvido por meio da força bruta ou de qualquer outra maneira, de modo que essencialmente requer uma grande quantidade de tentativas. Quando um minerador finalmente encontra a solução certa, toda a rede fica sabendo ao mesmo tempo que houve um “vencedor” daquele bloco, o qual receberá um prêmio em criptomoeda (a recompensa) fornecido pelo protocolo.
Desde que surgiu e, pelo menos, até o final do primeiro trimestre de 2018, o Ethereum funcionou com um mecanismo de consenso de prova de trabalho como este descrito acima. Contudo, os desenvolvedores da plataforma pretendem fazer a transição para um novo tipo de mecanismo conhecido como Prova de Participação (PoS, na sigla em inglês, que deriva de Proof of Stake).
O que é prova de de participação?
A prova de participação é uma maneira diferente de validar transações e de alcançar o consenso distribuído. Também trata-se de um algoritmo e o objetivo é o mesmo da prova de trabalho, mas o processo para atingir o objetivo é bastante diferente.
A primeira menção a esta ideia foi no fórum virtual bitcointalk em 2011, mas a primeira moeda digital a usar este método foi a Peercoin, em 2012.
Na Prova de Participação, o criador de um novo bloco é escolhido de forma determinista, dependendo da sua riqueza, ou seja, da quantidade de tokens que possui.
Neste modelo, todas as moedas digitais são criadas antes do início do sistema e seu número total nunca muda. Não existe emissão paulatina de tokens, como acontece no Bitcoin e também acontece com o Ethereum quando ele usa Prova de Trabalho.
Isso significa que no sistema PoS não há recompensa por bloco, então, os mineradores recebem somente as taxas de transação.
É por isso que, na verdade, neste sistema PoS, os mineradores são chamados de “ferreiros” (forgers, em inglês).
Por que o Ethereum quer usar POS?
A comunidade Ethereum e seu criador, Vitalik Buterin, estão planejando fazer uma atualização na rede da plataforma (hard fork, no termo em inglês) para fazer uma transição da prova de trabalho para prova de participação.
Num consenso distribuído baseado na prova do trabalho, os mineradores precisam de muita energia elétrica para performar os cálculos matemáticos. E esses custos de energia são pagos com moedas fiduciárias, levando a uma constante pressão descendente sobre o valor da moeda digital.
Os desenvolvedores estão muito preocupados com esse problema, e a comunidade Ethereum quer explorar o método da prova de participação para uma forma de consenso mais generalizada e mais econômica. Esta atualização do Ethereum que quer implementar a PoS é conhecida como Casper.
dez 8, 2020 | Ethereum
O mundo tokenizado
Hoje em dia, o acesso a investimentos financeiros tradicionais é bastante complexo, cheio de burocracias e boa parte das informações sobre um ativo financeiro específico está concentrado na mãos de intermediários que atuam na comercialização desses instrumentos financeiros. Além disso, é muito difícil saber por quais mãos determinado ativo já passou ou sobre o que exatamente ele se trata.
O processo de tokenização da economia, ou seja, a transformação de ativos financeiros em tokens proverá uma quantidade imensurável de informações aos consumidores e permitirá que eles possam acessá-los de maneira muito mais simples, rápida e barata. A plataforma do Ethereum possui a infraestrutura necessária para que essa revolução aconteça.
Embora tenhamos a tendência de pensar que os mercados financeiros globais são tão líquidos quanto possível, isso só é verdade para pessoas e organizações que já estão no “sistema”, ou seja, corretores e instituições financeiras. O cliente final é obrigado a percorrer todos os níveis burocráticos e de conformidade para abrir uma conta, assinar contratos, pagar comissões etc. Isso também se aplica para investimentos em empresas em crescimento, cujo acesso é concedido apenas a investidores credenciados.
A estrita regulamentação do mercado para os usuários finais levou à demanda por alternativas, que inesperadamente liberaram o mercado de criptomoedas. Assim que as pessoas começaram a acreditar que este mercado permitia que eles não só entrassem, mas também se retirassem livremente, a liquidez aumentou, o mercado cresceu absurdamente e o número de ofertas iniciais de criptomoedas (ICOs) cresceu exponencialmente.
A burocracia é a principal razão pela qual um investidor pode mudar de ideia sobre a abertura de uma conta tradicional de investimentos. Uma questão secundária é a baixa usabilidade do software de negociação, como um home broker, pois é necessário estudar ou confiar o trabalho a um terceiro. Problemas mais fundamentais – como a necessidade de confiança nos intermediários, a baixa integração das infraestruturas e a velocidade das liquidações – estão em terceiro lugar.
Indiretamente, a tokenização criou uma forma para sistemas extremamente simples e convenientes, onde, dentro de 20 minutos, você pode enviar dinheiro para a corretora, fazer a negociação e retirar capital.
Em essência, a tokenização é o processo de transformação do armazenamento e gerenciamento de um ativo, quando cada ativo é atribuído a uma contrapartida digital em um blockchain.
Idealmente, tudo o que acontece em um sistema de contabilidade digital deve ter implicações legais, assim como as mudanças em um registro imobiliário levam a uma mudança na propriedade da terra. A era da tokenização introduz a importante inovação de que os ativos são gerenciados diretamente pelo proprietário em vez de gerenciar ativos através da emissão de pedidos para um intermediário.
A diferença de abordagem é facilmente explicada pelo exemplo da diferença entre o sistema bancário e o ether. Com uma conta bancária, o cliente envia uma instrução para um banco onde é executado por alguém e o cliente se identifica através de seu login e senha. No caso do ether, o iniciador da transação usa sua assinatura digital, que em si é uma condição suficiente para que a transação seja executada.
Nada impede o uso do mesmo mecanismo para gerenciamento de ativos tradicionais. Certamente, isso exigirá uma mudança na infraestrutura, mas trará muitos benefícios. Isso reduzirá os custos e aumentará a velocidade e segurança dos negócios.
Exemplo de tokenização
Em busca de mais transparência, agilidade e segurança, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende lançar o seu próprio token na plataforma do Ethereum.
Inicialmente chamado de “BNDES Coin” em alusão ao frenesi das moedas digitais, a iniciativa foi rebatizada internamente de “BNDES Token”, pois, na prática, compreende a “tokenização” do real brasileiro. Com isso, o banco estatal pretende conceder financiamento em tokens que serão lastreados na moeda nacional. A ideia é que o financiamento de uma obra seja operacionalizado por meio de tokens. Assim, todo o caminho percorrido pelo dinheiro será totalmente transparente.
Qualquer brasileiro poderá visualizar quem são as empresas envolvidas na operação e as transações realizadas. As informações críticas não estarão armazenadas em um banco de dados dentro do BNDES. Elas estarão públicas no blockchain.
Na prática, o tomador do empréstimo disponibilizará ao BNDES um endereço público na blockchain. O banco estatal, então, enviará os tokens que depois serão utilizados pelo governo estadual para o pagamento dos fornecedores que, por sua vez, poderão solicitar o resgate em reais junto ao BNDES.
dez 8, 2020 | Ethereum
A principal aplicação do Ethereum
Uma oferta inicial de criptomoeda ou oferta inicial de token, conhecida pela sigla em inglês ICO (Initial Coin Offering), é um mecanismo de captação de recursos nos quais novos projetos vendem seus tokens criptográficos subjacentes em troca de ether ou algum outro ativo digital.
A ideia por trás de uma ICO é ser uma espécie de Oferta Pública Inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), um mecanismo tradicional de levantamento de recursos existente no mercado financeiro, no qual uma empresa lista suas ações em uma bolsa de valores e as vende para investidores.
As ICOs são um fenômeno relativamente novo, mas rapidamente se tornaram um tópico dominante de discussão dentro da comunidade de blockchain e de ativos digitais. Muitos enxergam os projetos de ICO como títulos não regulamentados que permitem a seus fundadores levantar um montante de capital injustificado, enquanto outros argumentam que é uma inovação no modelo tradicional de financiamento de risco.
As ICOs são fáceis de serem estruturadas devido a tecnologias como o padrão de token ERC20 existente no Ethereum, que facilita bastante o processo de desenvolvimento necessário para criar um token criptográfico.
A maioria das ICOs permite que os investidores enviem fundos (geralmente em ether) para um contrato inteligente que armazena os fundos e os converte para o novo token em um momento posterior pré-determinado pela oferta.
História das ICOS
Vários projetos usaram um modelo de financiamento coletivo para financiar seu trabalho de desenvolvimento em 2013. A Ripple, por exemplo, pré-minerou 1 bilhão de tokens XRP e os vendeu a investidores voluntários em troca de moedas fiat ou bitcoin. O próprio Ethereum levantou um pouco mais de US$ 18 milhões no início de 2014 – a maior ICO já completada até aquele momento.
O The DAO foi a primeira tentativa de levantamento de fundos para um novo token feita no Ethereum. Ele prometia criar uma organização descentralizada que financiaria outros projetos de blockchains, sendo que as decisões de governança seriam feitas pelos próprios detentores do token.
Enquanto o The DAO foi bem-sucedido em termos de arrecadar dinheiro – mais de US$ 150 milhões – um invasor desconhecido conseguiu drenar milhões da organização devido a vulnerabilidades técnicas.
Embora a primeira tentativa de financiar um token com segurança na plataforma Ethereum tenha falhado, os desenvolvedores de blockchain perceberam que o uso do Ethereum para lançar um token ainda era muito mais fácil do que buscar rodadas de investimento inicial através do modelo usual de capital de risco (venture capital).
Alguns acreditam que os projetos de crowdfunding podem ser a principal aplicação do Ethereum, dado o tamanho e frequência das ICOs. Somente em 2017, mais de US$5 bilhões foram levantados em centenas de ICOs. Nunca antes as startups de pré-operacionais foram capazes de levantar tanto dinheiro e tão pouco tempo.
As ICOS são legais?
A resposta curta é talvez. Legalmente, as ICOs existem em uma área extremamente cinza porque os argumentos podem ser feitos tanto para e contra o fato de que elas são apenas ativos financeiros novos e não regulamentados. A decisão recente da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, no entanto, conseguiu esclarecer uma parte daquela área cinzenta.
Em alguns casos, o token é simplesmente um token utilitário (utility token), o que significa que o proprietário tem acesso por meio do token a um serviço ou produto oferecido pelo protocolo ou rede específica. Portanto, não pode ser classificado como uma garantia financeira.
Por outro lado, se o objetivo do token é de apenas ter seu valor apreciado, ele passa a ser considerado valor mobiliário, ou seja, um security token. E se assim o for, ele deveria seguir todas as regras existentes de emissão de valores mobiliários, tanto nos Estados Unidos, quanto no Brasil.
Enquanto muitas pessoas compram tokens para acessar a plataforma subjacente em algum momento futuro, é difícil refutar a ideia de que a maioria dos token são para fins de investimento especulativo. Isso é fácil de verificar, dado os valores de avaliação de mercado de muitos projetos que ainda não lançaram um produto comercial.
A decisão da SEC pode ter proporcionado alguma clareza ao status de tokens de utilidade x security. No entanto, ainda há espaço suficiente para testar os limites das legalidades. Por enquanto, até que outros limites regulamentares sejam impostos, os empresários continuarão a aproveitar deste novo fenômeno.