Bitcoin Pizza Day – E a pizza mais cara da história?

Bitcoin Pizza Day – E a pizza mais cara da história?

Hoje vou falar da relação de três coisas que praticamente todo ser humano gosta muito: pizzas, bitcoins (menos os bancos) e fiat money (aqui com certeza os bancos). E como esses três ingredientes mostraram a pizza mais cara da história. Essa data ficou conhecido como o Bitcoin Pizza Day.
Essa relação começa em 2010, quando um membro do maior fórum sobre bitcoins do mundo (bitcointalk, para quem não é da comunidade) abriu um tópico requisitando algumas pizzas, na verdade duas, pois quem não gosta de comer no café da manhã os pedaços da pizza da noite passada?
Laszlo, nome do autor do pedido, disse que pagaria 10 mil bitcoins para quem pudesse entregar. Calma aí, 10 mil bitcoins por duas pizzas? Não precisa abrir sua calculadora, é isso mesmo, são aproximadamente R$300 milhões por duas pizzas. Absurdo? Não, isso tem um nome: anacronismo econômico.
O que é anacronismo? Se buscar na Wikipédia lá está descrito como “um erro cronológico, expressado na falta de alinhamento, consonância ou correspondência com uma época”, ou seja, quando eventos de  “uma determinada época são erroneamente retratados noutra época”
Há 8 anos o bitcoin custava muito pouco, quão pouco? O suficiente para ninguém querer comprar a pizza do Lazlo por 4 dias, penso nisso toda vez que o delivery demora.
No dia seguinte à reclamação, Lazslo, por fim, consegue sua pizza por 10 mil bitcoins. Um rapaz de 18 anos com o nickname Jercos fez a intermediação da compra e ficou marcado na história como o primeiro vendedor de um bem físico por Bitcoin.

Se cada pizza custou mais ou menos 25 dólares e foi pago 10 mil bitcoins, isso coloca o preço de cada moeda em aproximadamente U$ 0,0025/btc. Esse era o preço do bitcoin naquela época, se transportarmos o preço de hoje em um anacronismo econômico. Se pensarmos em quanto Laszlo deixou de ganhar com a valorização destes 10 mil bitcoins, essa pizza aí embaixo não vai parecer tão saborosa.

Com é possível algo valorizar tanto em tão pouco tempo? Pois bem, meu caro leitor, você está prestes a descobrir a real “pizza” mais cara da história.
Esta valorização absurda está apoiada em três pilares: o primeiro é a natureza escassa do Bitcoin, já que serão apenas  21 milhões. O segundo são os bancos centrais, com todo o poder da emissão de moeda nas mãos de poucos políticos. Por fim e não menos importante o custo das pizzas ou produtos no mercado.
Muito confuso? Vou esclarecer.
No sistema econômico atual, o governo tem o poder de inflacionar a moeda, diminuindo o seu poder de compra através do aumento da oferta de moeda, desvalorizando o dinheiro na economia. Para entender profundamente este tema, recomendo o livro do meu autor favorito em questões monetárias: “The Denationalization of Money”, de Friedrich Hayek.
Essa medida governamental faz o valor do bitcoin, como uma moeda com limite de emissão, ser preferido pelas pessoas que querem manter o valor do seu dinheiro a longo prazo.
Agora entra a parte mais gostosa dos nossos ingredientes, o preço das pizzas. O custo dos produtos tende também a cair ao longo tempo, pois melhorias tecnológicas incrementais são feitas. Lembra quanto custava um celular em 1990? Nem eu, mas falam que era uma fortuna. Apesar do custo de produzir alguns produtos continuar diminuindo, muitas vezes a quantidade de moedas pagas por eles só aumentam.
No final das contas, todos esses ingredientes mostram a figura da pizza mais cara da história da humanidade. O grande problema do sistema financeiro atual é o poder quase ilimitado dos bancos centrais, o motor das crises econômicas, que transformou o dinheiro em uma abstração, sentimento exposto por Satoshi Nakamoto no bloco gênesis do Bitcoin.
É por tudo isso que o dia 22/05 foi um marco. Ele é muito mais do que o dia da compra de uma pizza, mas o começo do fim da pizza mais cara na história humana.

Pedro Torres

Pedro Torres

Demorou alguns anos para que eu percebesse que eu fui muito ajudado por muitas pessoas em minha vida de forma gratuita. E esse é um link inevitável em minha história sobre o que eu sou e o que faço.

Meu nome é Pedro Manuel Torres, engenheiro de software na Foxbit, e contar um pouco sobre mim é voltar para as minhas origens e as origens da minha família.

Meus pais nasceram no Nordeste, e ambos vieram para São Paulo para o famigerado “ganhar a vida”. Meu pai, Samuel, veio do interior do Pernambuco; minha mãe, Solange, do norte do Piauí. Ambos foram aos poucos conquistando suas vidas, trouxeram outros irmãos com o tempo e constituíram família aqui.

Minha mãe trabalhava no Banco Bradesco e meu pai como consultor contábil autônomo, profissão que ele exerce até hoje. Eles se conheceram no início dos anos 90, em Osasco, onde ambas as famílias moravam.

Eles se separaram durante a gravidez e, quando eu nasci, em 1995, eles ainda viviam na mesma casa, mas não estavam mais juntos. Aos meus dois anos, meus pais se separaram oficialmente. Minha mãe, que sempre quis ajudar as pessoas, adotou uma menina chamada Dalva, que era da nossa família, mas em situação mais carente. Em 2003, ela casou com meu padrasto, Nézio, quem eu considero meu segundo pai.

Com o que minha mãe recebia, ela ajudava a família e sustentava a casa sozinha. Não havia condições de pagar por escola, mas o Bradesco tem um projeto filantrópico chamado Fundação Bradesco, que proporciona educação de forma gratuita. Ela, como funcionária, teve o direito de matricular minha irmã Dalva e eu na escola.

Durante a minha infância e adolescência, nove crianças e jovens passaram pela nossa casa. Minha mãe ajudou aos outros de forma gratuita e bastante apaixonada. Ela acolhia pessoas em condições financeiras não muito boas, fossem elas da nossa família ou não, e arrumava estudo, alimentação, auxiliava na educação, e depois elas voltavam para os seus pais ou moravam sozinhas em uma situação melhor. Ela sempre fez isso ao longo de quase toda vida, e o faz até hoje.

Por isso, pra mim é quase “normal” devolver isso para qualquer pessoa que eu conheço. Procuro ajudar as pessoas de fato sem esperar nada em troca. Ao longo da minha história estudantil e profissional isso aconteceu também.

Formação e solidariedade

À Fundação Bradesco eu devo toda a minha educação até o Ensino Médio. Eles também me deram a oportunidade de descobrir minhas paixões na Física, Matemática e Filosofia, tanto na sala de aula quanto nos grupos extraclasse que participei, como o Grupo de Estudos de Física:

Comecei a trabalhar no Banco Bradesco a partir dos 17 anos, como menor aprendiz, no setor de canais de atendimento. Lá eu conheci a Percília e a Angela, que foram grandes mentoras no período que trabalhamos juntos. A Angela me deu um livro de presente – o “Pequeno Príncipe” – com uma dedicatória da que reflete muito do que penso.

A frase citada por ela veio de um vídeo que me inspirou e que me traz referências até hoje do que busco ser na vida.“Stay hungry, stay foolish”, disse Steve Jobs, citando a edição final do “Whole Earth Catalog”, o incentivo de continuar buscando algo novo e aprendendo sempre.

Esse discurso foi divisor de águas em 2012, quando eu estava indeciso sobre qual carreira escolher, pois gostava de muitas coisas. Uma delas era resolver problemas matemáticos e lógicos, e percebi que poderia conciliar isso com uma carreira em tecnologia.

Fiz o técnico em informática da própria Fundação Bradesco no mesmo período em que ganhei uma bolsa integral no Mackenzie, para bacharelado em sistema da informação. Optei por não fazer o curso, por não ter certeza se era a carreira que queria seguir.

Através de uma bolsa integral concedida por uma organização chamada Instituto IT Mídia, consegui uma bolsa para o curso de Infraestrutura de Redes na Faculdade Impacta. No curso, percebi que não era do que eu gostava dentro da tecnologia da informação. Me lembro de ter ficado triste porque eles fizeram muito e investiram em mim, mas as pessoas do instituto me deram todo o apoio para continuar a busca pelo que eu realmente queria.

Graças a um professor do técnico em informática, o Juliano (que hoje trabalha comigo na Foxbit), eu descobri que minha paixão era desenvolvimento de software. Consegui novamente outra bolsa de estudos integral pelo Instituto IT Mídia, graças ao meu desempenho, na FIAP, faculdade com foco em tecnologia aqui em São Paulo.

Durante o período da graduação, recebi uma indicação para uma vaga em desenvolvimento numa consultoria chamada InfoSERVER por indicação do Juliano. Passei no processo, pedi demissão do Bradesco e aprendi muito nessa nova área. Financeiramente falando, pude ajudar melhor em casa.

Eu nunca paguei pela minha educação – e se precisasse pagar, não poderia. Fui ajudado por empresas privadas que me deram muitas oportunidades, por pessoas que queriam fazer o bem com o muito que tinham, em semelhança com o que minha mãe fazia, mas com muito pouco. De certa forma, isso foi retribuído.

Fiquei quase três anos na InfoSERVER, mas não estava mais gostando do que eu realizava. Refleti e percebi que gostaria de espelhar o que minha mãe fazia – ajudar aos outros, cuidar de pessoas – como profissão também. Comecei a estudar e me interessar por psicologia, e, com tempo e dinheiro limitado, busquei um cursinho para passar em uma faculdade pública.

Ao me deparar com o preço do cursinho, meu plano foi por água abaixo: também estava fora do meu escopo. No entanto, novamente uma oportunidade surgiu: estudei por um mês, relendo os livros do ensino médio, vendo vídeos no Youtube, fiz a prova, e consegui 70% de bolsa no Etapa. Por questões familiares, nem o valor reduzido eu poderia pagar, mas pedi a ajuda do meu pai, que custeou o curso.

Infelizmente, no ano em que prestei Fuvest, o vestibular da USP, houve um aumento súbito na procura pelo curso de Psicologia, que só ficou atrás de Medicina! Não consegui passar, e acabei deixando esse plano para o futuro.

Escolhas, mudanças e certezas

Já em 2016, resolvi focar completamente na minha carreira em desenvolvimento de software. Percebi que minha insatisfação vinha do contexto em que e estava e procurei as melhores consultorias da tecnologia que dominava e encontrei a Avanade. Mandei meu currículo, não passei de primeira, mas me chamaram depois para uma nova vaga.

Fiquei quase um ano lá, mas novamente a tecnologia não estava me trazendo satisfação. Percebi que, como consultor de projetos, não havia muito propósito no que eu fazia. Eu não sentia que eu estava cumprindo com uma missão com a qual eu me identificava. O problema não era minha área, ou o meu trabalho, era o papel que eu representava numa cadeia de valor. Eu queria mudar isso, e a área de produtos era o caminho.

Me inscrevi e passei na terceira tentativa na Gama Academy. A experiência foi incrível, e a Foxbit era uma das patrocinadoras do programa. Ouvia falarem muito bem da empresa, e achei muito interessante como se posicionavam com a comunidade, sua presença ativa e tratamento com os clientes, além de ser um negócio interessante. Lá eu conheci o Flávio Almeida, sócio da Foxbit, que chamou o meu grupo do curso para um café com os patrocinadores.

Esse contato se converteu em uma entrevista na Foxbit, e posso dizer que foi a melhor que eu já fiz. Além de ter um incrível respeito pelo ser humano, o Flávio quis entender meu momento de carreira, o que eu conhecia, o que poderia oferecer para o time e do que ele precisaria de mim. O time de desenvolvimento também me entrevistou, para não só medir meus conhecimentos, mas também minha capacidade de resolução de problemas. Para minha surpresa, o Flávio falou no mesmo dia que eu estava aprovado. Eu fiquei tipo “uau!”.  

Eu não tinha pensado em quanto eu queria ganhar, porque eu já tinha me conectado  com a empresa e estava muito animado de trabalhar aqui, com o propósito e um time no qual eu poderia confiar. Não me importava com o salário. Só que tudo foi melhor do que eu esperava, e eu pude, de fato, começa a resolver alguns problemas da minha família.

Comecei na Foxbit em 30 de outubro de 2017 e tem sido melhor do que eu achei que seria. Muito dessa impressão se deve ao fato de o corpo de diretores e as pessoas que começaram a Foxbit serem muito respeitosas. Pessoas em quem eu confio. Além de toda missão da empresa, as pessoas que estão aqui carregam esse profundo respeito pelo ser humano. A energia daqui é muito positiva! E isso é algo que eu não havia encontrado até hoje.

Mesmo cansado, exaurido nas fases em que tivemos problemas, eu não perdi a conexão, a fé, a vontade de querer estar aqui e me conectar com as pessoas que fazem parte do dia a dia.

A grande surpresa é que meu propósito de vida se alinhou com meu propósito pessoal. Minha felicidade atingiu um ponto que é imbatível com todas as experiências que eu tive. Fez com que as minhas engrenagens voltassem a se movimentar e atingiu até mesmo minha vida pessoal.

A minha trajetória foi desenhada com pessoas de bom coração e que quiseram ajudar os outros, que doaram seu tempo de forma gratuita, ou com valor simbólico. E devo isso a cada professor, a cada mentor que eu tive, que me ajudaram pessoalmente e profissionalmente. Por isso eu gosto da Foxbit, porque as pessoas aqui têm histórias com as quais eu me identifico ou me espelho. Correram atrás, tiveram problemas que acharam irreversíveis, barreiras consideradas impenetráveis – e superaram, e superam todos os dias.

Se um dia se eu for professor ou mentor de alguém, quero transmitir isso para essas pessoas. Porque é isso que me conecta às pessoas: ajudar, ser ajudado, e poder retribuir.

Criptoeconomia e Games – Criptomoeda do Tibia?

Criptoeconomia e Games – Criptomoeda do Tibia?

É isso mesmo. Provavelmente você já deve ter ouvido falar a respeito de Tibia. É um jogo MMORPG criado em 1997, um dos mais antigos do gênero, que até hoje mantém uma média considerável de players online e fiéis ao game.

A ideia do formato MMORPG e do Tibia é que você crie um personagem, escolha sua classe (arqueiro, mago, guerreiro, druida) e viva esta experiência caçando e batalhando com outros personagens. Cada um destes personagens é comandado por um outro jogador, de qualquer parte do mundo, permitindo uma interação em escala mundial com outros gamers. Nada melhor do que as criptomoedas para expandirem esta interação e permitir a formação de uma economia de escala global dentro destas comunidades de jogos eletrônicos.

Para quem não sabe, Tibia é um jogo desenvolvido pela empresa alemã CipSoft, que, segundo o próprio Google, faturou cerca de 9.5 milhões de Euros em 2015, sendo Tibia o seu principal produto no mercado.

Desenvolvedor de criptomoedas no Tibia?

A CipSoft possui um site próprio de sua empresa, onde costuma divulgar alguns comunicados importantes e relevantes sobre seus produtos, eventos, prêmios e vagas de emprego. Acontece que recentemente eles anunciaram vagas para Desenvolvedores de Softwares de Criptomoedas.

Para quem quiser dar uma checada, pode acessar a lista de vagas da CipSoft através do link https://www.cipsoft.com/index.php/de/jobs. Como se trata de uma vaga de emprego, pode ser que a mesma não se encontre mais disponível no site a depender da data que você esteja lendo este texto, mas fica tranquilo que vou postar uma imagem aqui embaixo para “eternizar” o momento:Criptomoeda do tibia - Desenvolvedor de criptomoedas CipSoft
Como o site está em alemão e boa parte das pessoas não entende a língua (inclusive eu), vou traduzir para vocês a 4ª vaga de emprego da lista:
Criptomoeda do Tibia - Desenvolvedor de software focado em criptomoedas
Pois é, a tradução tá um pouco meia boca, mas já dá para perceber que se trata de um Desenvolvedor de Software focado em Criptomoedas. Será que uma ICO do Tibia/CipSoft está por vir? Será que Tibia começará a aceitar bitcoin e outras criptomoedas como forma de pagamento?

De todo modo, no momento que estou escrevendo este texto ainda é muito cedo para responder tais perguntas, mas com certeza o mercado de games tem muito a se beneficiar com o uso de criptomoedas, já que a maioria destes jogos, principalmente MMORPG’s, são frequentados simultaneamente por players dos mais diversos cantos do mundo, todos conectados em um mesmo servidor. Criptomoedas podem ajudar bastante no fomento desta economia digital dos games, que vem crescendo exponencialmente nos últimos anos.
Você já jogou Tibia? O que achou da atitude da CipSoft? Quais outros mercados além dos games você acha que as criptomoedas possuem chance de adoção em massa? Comentem ai embaixo.

‘’La Casa de Papel’’ e ‘’El Bitcoin’’- O que essas duas manias tem em comum?

‘’La Casa de Papel’’ e ‘’El Bitcoin’’- O que essas duas manias tem em comum?

Vamos discutir a relação entre duas febres mundiais: a série La Casa De Papel, e o polêmico Bitcoin. E você, de qual lado da moeda está?

Se você sobreviveu ao tumultuado ano de 2017 e está coletando os cacos neste início de 2018, certamente existem dois assuntos que enchem o seu Facebook, grupos de Whatsapp, noticiários e mesas de bar.

O primeiro é sobre a série espanhola ‘’La Casa De Papel’’, de Álex Pina. Ela estreou em 2 de maio de 2017, mas caiu no gosto popular após a sua inserção no catálogo da Netflix, em 25 de dezembro de 2017, no maior estilo ‘’assalto genial daqueles que você torce pros bandidos’’. A história rapidamente povoou não só as fantasias carnavalescas de Salvador Dalí, mas também gerou um cântico entoado pelas redes sociais de ‘’Cara, você tem que assistir La Casa de Papel!’’.

Oferecimento: Brasil – Um país de todos.

A euforia chamada Bitcoin

A segunda euforia dos tempos em que vivemos é o Bitcoin, a moeda digital/commodity digital (ou peer to peer electronic cash system para os íntimos), de autoria misteriosa do pseudônimo Satoshi Nakamoto. Apareceu em meados de 2008 e começou a funcionar em 2009, dividindo o mundo entre evangelistas da tecnologia e zombadores do ‘’dinheiro de internet’’.

Certo dia, navegando pela querida locadora vermelha, Netflix, me deparo com a tal série. Influenciado pelos seus fervorosos apoiadores, resolvi dar uma chance. Eis então que algo me chamou atenção e como bitminion orgulhoso que sou (ver tweet), não poderia deixar de comentar.

A premissa da série do canal espanhol Antena 3 de 13 episódios (edição da Netflix, o original são 9 episódios com maior duração) é a seguinte: um misterioso e inteligente homem, que atende pelo nome de Professor (Álvaro Morte), recruta 8 pessoas problemáticas (que incorporam nomes de cidades para protegerem as suas identidades) para executar seu ambicioso plano de assaltar a Casa Da Moeda da Espanha.

Ninguém será roubado

A particularidade do plano se dá pelo fato de que, segundo o próprio Professor, ninguém será roubado, os ladrões vão imprimir os seus próprios 2.4 bilhões de euros. E assim, se inicia um jogo de gato e rato contra a polícia para ganhar tempo e ser realizada cada etapa desse crime detalhado, e com um total de 67 reféns.

Depois dessa breve introdução, você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com o Bitcoin? A resposta é simples e escancarada, e caso esteja a antecipando, prometo não fazer de forma tediosa ou rebuscada demais. Então, vamos lá.

Fonte:https://tenor.com/view/la-casa-de-papel-gif-10879735

Primeiramente, devemos entender o que é Bitcoin. Esse texto não possui a pretensão de ser extensivamente técnico. Utilizaremos aqui os conceitos formulados por Fernando Ulrich e Andreas Antonopoulos, autores de ‘’Bitcoin: A moeda na era digital” (2014) e ‘’Mastering Bitcoin’’ (2016), respectivamente (ou seja, os caras que fazem o trabalho sujo de explicar tudo detalhadamente).

O que dizem os especialistas?

Segundo Fernando Ulrich (quem considero como o maior evangelista do Bitcoin no Brasil), o Bitcoin é uma tecnologia disruptiva e se caracteriza como um sistema de dinheiro eletrônico de ponto a ponto, de código aberto e descentralizado (esse último aspecto é fundamental a esse texto). Andreas Antonopoulos é mais generalista e conceitua Bitcoin também como um conjunto de conceitos e tecnologias, que formam a base de um ecossistema de dinheiro digital.

A invenção do nosso misterioso Satoshi (não se preocupe por não saber quem é, afinal, você não sabe quem inventou a maioria das coisas que usa) funciona por meio do Blockchain, que é uma espécie de grande ‘’livro-razão’’ altamente seguro, imutável, que agrupa todas as transações existentes, e distribuído.

A tecnologia se utiliza de uma criptografia bastante robusta e um processo matemático complexo de ‘’mineração’’. Imagine essa mineração mais como um processo de validação e construção desse Blockchain, com uma troca de energia elétrica e poder computacional por remuneração pela realização desse trabalho, e assim novos bitcoins são criados.

A oferta máxima de bitcoins a serem criados é de aproximadamente 21 milhões de unidades, e sem uma entidade central (será que você já ta começando a entender?). Eu sei que simplifiquei demais a tecnologia nessa explicação e ultrapassei alguns pontos. Para os leigos no assunto (afinal, todos somos) deixei uma série de links com as principais fontes de conhecimento sobre a tecnologia no final do texto

Eu não entendo como Bitcoin funciona. E nesse ponto, estou com muito medo para perguntar

Atenção! A partir desse ponto, o texto pode conter spoilers.


A série ‘’La Casa de Papel’’ pode ser vista como uma grande alegoria. O assalto inteligente é narrado pelo ponto de vista de Tokyo (Úrsula Corberó), e desde o início percebe-se a preocupação do Professor (mentor do assalto) com o que as pessoas irão pensar. Para ele, é fundamental ter a opinião pública ao lado dos bandidos, sendo vistos como ‘’ os heróis de toda essa gente’’.

A reação das pessoas deve ser ‘’ Que filhos da mãe! Queria ter pensado nisso antes.’’ Resumindo, os bandidos entram na Casa da Moeda da Espanha, fazem reféns, colocam máscaras divertidas e começam a brincadeira de fazer o próprio dinheiro. Eles se tornam os ‘’controladores’’ da Casa da Moeda ( e nesse ponto você deve estar começando a entender a metáfora disso tudo).

Então, em um momento de grande tensão da série, o Professor pronuncia as palavras que geraram o insight de percepção desse texto:

‘’ Você aprendeu a ver tudo em conceitos de bom ou ruim, mas isso o que estamos fazendo, sei que não se importaria se fosse feito por outros. No ano de 2011, o Banco Central Europeu fez do nada 171 bilhões de euros, do nada. Igual estamos fazendo, só que em grande estilo. Em 185 bilhões em 2012, 145 bilhões em 2013. Sabe onde foi parar todo esse dinheiro? Nos bancos, diretamente da fábrica para os mais ricos. Alguém disse que o Banco Central Europeu era um ladrão? Injeção de liquidez que chamaram. E eles tiraram do nada *o Professor pega uma nota de euro e rasga na frente de Raquel* O que é isso? Isso aqui é nada. Isso é papel. Estou fazendo uma injeção de liquidez.’’

Uma crítica ao sistema monetário

O que o Professor critica é a forma como que o sistema monetário é construído atualmente, e demonstra a sua descrença nesse modelo, ou o jeito com que se é desenhado um grande aparato de benefícios e fundamentos duvidosos.

A ideia de que algo tão valioso para as sociedades modernas está ligado a um processo frágil de criação parece ser uma daquelas coisas com as quais você tenta não se esforçar em pensar para não entrar em pânico. Com certeza você já ouviu a sua avó falando que o tanto de papel moeda disponível numa economia é equivalente às reservas de ouro de um país, mas já tem muito tempo que as coisas não são assim ( mais precisamente, 15 de agosto de 1971).

A nossa moeda é fiduciária, ou seja, ela é baseada em crenças e confiança. Confiança de que o Banco Central assegurará o poder dessa moeda, tendo responsabilidades acerca do uso forçado da mesma como meio de pagamento (ou seja, você vai comprar desde um pãozinho até uma lamborghini, pagar seus impostos e etc).

Em termos teóricos, a emissão de moeda segue relações com o nível produtivo de uma economia, relações de entrada e saída de capital estrangeiro; e nível de desenvolvimento de uma economia. Devemos lembrar também que a maioria do dinheiro usado atualmente é em forma de crédito, e não papel moeda em si. Na realidade, muitos dessas relações são mais subjetivas do que parecem, e se formos discutir em termos práticos a ‘’impressão de dinheiro’’ ( que na verdade é o aumento da base monetária)…bem…temos isso daqui:

O gráfico aqui exposto se refere ao balanço anual consolidado da Zona do Euro, inclui ativos e passivos dos bancos centrais nacionais do sistema Europeu (BCN) e do Banco Central Europeu detidos no final do ano face a terceiros. Este balanço é publicado em conjunto com as Contas Anuais e está incluído no Relatório Anual do BCE (segundo o site do Banco Central Europeu).

Obviamente, os dados representados no gráfico são compostos de outros fatores não só o aumento de base monetária (e outros aspectos mais técnicos, que fogem do escopo desse texto), mas é possível ter uma boa noção pela fala do Professor.

A escassez do Bitcoin

O Bitcoin possui uma escassez matemática, e não está sujeito a manipulações diretas de sua oferta. Pode-se considerar que o seu preço, no processo atual de desenvolvimento é sim determinado pela crença no sistema e pela especulação. Porém, não existe um ente controlador de política monetária por meio de quantos bitcoins são ou deixam de ser produzidos.

O Bitcoin não se torna restrito às políticas de um país, ainda que possa sofrer regulamentações periféricas no mesmo. E principalmente, por mais paradoxal que pareça, a sua oferta talvez possa ser menos virtual do que o dinheiro que conhecemos hoje em dia.

A grande sacada crítica que pode ser levantada pela série é a reflexão acerca das construções sociais existentes acerca do sistema monetário. Somos criados de forma a acreditar que os bancos centrais sempre existiram e não contestamos, ou analisamos de perto, as relações de confiança e interesse existentes dentro dos mesmos, assim como as suas relações com os bancos e a política.

Devemos nos atentar ao fato de que existem outras formas de se fazerem as coisas, e as criptomoedas oferecem essa possibilidade. Se essas formas serão melhores ou piores, só o tempo dirá. Mas uma coisa é certa: agora existe uma alternativa.

O que é ransomware e como se livrar de um?

O que é ransomware e como se livrar de um?

Você sabe o que é ransomware? A maioria das pessoas armazena documentos importantes em seus computadores, como fotos, textos, vídeos, bancos de dados, etc. Mas e se de repente todos eles fossem perdidos? Isso pode acontecer quando o computador está infectado por um ransomware.
No dia 11 de maio de 2017 presenciamos a maior infecção de ransomware da história, de pequenas empresas até infraestruturas essenciais como hospitais, fábricas de carros e diversos órgãos públicos foram afetados ao redor do mundo. Perigoso não?
Neste artigo você entenderá o que é ransomware e como proteger seu computador dessa ameaça. Acompanhe!

O que é ransomware?

É um software mal-intencionado que se instala nos computadores com o objetivo de bloquear os documentos armazenados na máquina, para depois cobrar um valor de resgate pelos dados sequestrados.
O valor exigido costuma ser bastante alto e muitas vezes é estipulado um prazo para a realização do pagamento, o que pode fazer com que aumente cada vez mais caso o pedido não seja atendido.

Como ele é instalado?

As principais formas de contrair o malware são por meio de cliques em links de sites duvidosos, download de anexos enviados por spam e instalação de aplicativos suscetíveis a ataques. Além disso, as redes sociais são lugares ideais para espalhar links de ransomwares. Portanto, redobre sua atenção antes de clicar em qualquer coisa.
Eles também podem estar disfarçados, fazendo pedidos de atualização de programas que estejam instalados no computador. Sem desconfiar de nada você aceita e clica no aviso, abrindo caminho para que o ransomware comece a agir.
O malware é instalado de forma bastante discreta e começa a criptografar os dados em segundo plano, tornando mais difícil sua detecção.

Qual é sua forma de ação?

Após terminar o processo de criptografia e bloquear todos os seus dados, o malware faz surgir avisos na tela do seu computador, exigindo quantias em dinheiro comum ou bitcoins para recuperar as informações. O método de pagamento por meio de criptomoedas está sendo o preferido pelos criminosos, já que em tese fica mais fácil preservar o anonimato preservar o anonimato.
https://blog.foxbit.com.br/o-bitcoin-e-realmente-anonimo-descubra-se-moeda-e-segura/
Existem diversos tipos de ransomwares e cada um deles age de forma diferente. Eles podem mudar as extensões dos arquivos das vítimas, trocar o papel de parede e criar arquivos de texto ou páginas em HTML com as instruções para desbloquear os dados criptografados.

Como posso preveni-lo?

Existem diversas medidas de prevenção que diminuem muito as chances de um ransomware se hospedar na sua máquina. Veja abaixo algumas formas de evitar esse tipo de ataque e a consequente perda dos dados de seu computador:

  • certifique-se de que seu antivírus está funcionando;
  • deixe o firewall sempre ativado;
  • mantenha seus programas atualizados;
  • utilize ferramentas anti-ransomware como o Bitdefender ou o Malwarebytes;
  • tenha um backup dos seus dados na nuvem e/ou em outro HD;
  • não clique em links ou anexos suspeitos enviados a você.

O que fazer para retirá-lo da máquina?

Os antivírus possuem algumas ferramentas específicas para a remoção de ransomwares, então verifique no site do fornecedor quais são as opções disponíveis. Porém, dependendo do tipo de malware que foi instalado, pode ser difícil removê-lo.
A melhor forma de contornar o problema é mantendo um backup dos seus dados, assim você pode formatar o computador e reinstalar todos os programas sem perder nenhum arquivo importante. Evite ao máximo fazer o pagamento exigido, já que não é possível saber se você realmente vai reaver seus arquivos.
Agora que você já sabe o que é ransomware e como se defender dos ataques, lembre-se de adotar as medidas de prevenção para evitar o problema. Com o surgimento de novas formas de proteção e a melhora das já existentes, a tendência é que cada vez menos pessoas sofram com os ataques desse malware, acabando com os lucros dos criminosos.
Este artigo foi útil para você? Então compartilhe com seus amigos nas redes sociais! Assim, você também os ajuda a se proteger e ajuda na extinção da ameaça.